Entre eles
está o deputado federal paranaense, Alfredo Kaefer (PSL-PR), que disse estar na lista de devedores
por ter seu grupo empresarial inserido indevidamente em uma falência
Um
levantamento feito pelo jornal Folha de S. Paulo revela que deputados federais
e senadores devem à União R$ 3 bilhões em tributos inscritos na dívida ativa e tentam
se beneficiar com o perdão dos débitos em uma negociação para alterar a medida
provisória que instituiu o PRT (Programa de Regularização Tributária), uma nova
regra de parcelamento com a Receita Federal.
O projeto de
conversão da MP em lei deve ser concluído até meados de maio e está sob a
relatoria do deputado Newton Cardoso Júnior (PMDB-MG). O parlamentar acumula
débitos de R$ 67,8 milhões em nome de suas empresas.
O deputado
afirmou que seu relatório está pronto e deve ser apresentado nesta terça-feira
(25). Deputados e senadores submeteram ao relator 376 emendas ao texto enviado
pelo Executivo.
Quase metade
delas partiu de parlamentares devedores. Outra parcela (37%) foi apresentada
por congressistas que se elegeram com doação de empresas inscritas na dívida
ativa da União.
A Folha fez
um levantamento da dívida total de deputados e senadores com dados fornecidos
pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional por meio da Lei de Acesso à
Informação. Na Câmara, 291 deputados devem R$ 1 bilhão em nome próprio, de
empresas controladas por eles ou de que são sócios.
Também
entram nessa conta companhias, fundações ou agremiações em que os parlamentares
aparecem como corresponsáveis.
A maior
parte dessas dívidas (R$ 724,6 milhões) está nas empresas controladas por um
grupo de 190 deputados, ou 37% da Câmara.
No Senado,
os débitos seriam menores não fosse a pendência do senador Zezé Perrella
(PMDB-MG), que aparece como corresponsável por uma dívida de R$ 1,7 bilhão em
nome do Frigorífico Cristal, envolvido em um esquema de sonegação fiscal.
Incluindo esse
débito, o montante devido por 46 senadores (mais da metade do total de
senadores) totaliza cerca de R$ 2 bilhões.
"Parlamentares
devedores foram eleitos por empresas devedoras, que só usam os programas de
refinanciamento para continuar não pagando imposto", disse o
coordenador-geral da dívida ativa da União, Daniel de Saboia.
O deputado
Alfredo Kaefer (PSL-PR), que faz parte da comissão que avalia a MP, afirmou que
está na lista de devedores porque sua empresa foi indevidamente declarada
falida. Segundo ele, uma decisão do Superior Tribunal de Justiça reverteu o
processo.
"A PGFN
diz que estamos beneficiando empresas sonegadoras", afirmou. "Empresa
inadimplente não é sonegadora. Se a dificuldade pega, é mais do que natural que
a empresa pare de pagar a União para poder honrar compromissos com funcionários
e fornecedores primeiro."
Kaefer
também não se considera impedido de participar do debate da MP. "Estou na
Câmara há 11 anos e sou membro da Comissão de Fiscalização e Tributação."
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