quarta-feira, 19 de abril de 2017

Vereador de Cascavel aponta retrocessos após um ano de impeachment

Paulo Porto faz críticas ao processo de impeachment
No dia 17 de abril completou-se um ano da votação do impeachment da presidente eleita Dilma Rousseff (PT) pela acusação de ter cometido crime de responsabilidade ao assinar decretos de créditos suplementares e cometer as chamadas “pedaladas fiscais”. A votação na Câmara de Deputados foi marcada por discursos inflamados. De cada dez deputados que disseram “Sim” ao processo, sete encontram-se atualmente com problemas na Justiça.

Para o vereador Paulo Porto (PCdoB), o saldo foi a chegada ao poder de um grupo que vem aplicando um pacote de retrocessos à classe trabalhadora. “Inúmeros deputados se revezaram num circo midiático e votaram contra uma mulher a qual ainda não se provou absolutamente nada, ao contrário, como confessado por Michel Temer que veio a público admitir que se tivessem apoiado o deputado Eduardo Cunha no Conselho de Ética, ela [Dilma] provavelmente seguiria presidente”, disse Porto em pronunciamento na Câmara de Cascavel nesta terça-feira (18).

O parlamentar refere-se a recente entrevista onde Michel Temer (PMDB) admite que Cunha só aceitou o processo de impeachment contra Dilma porque o PT não aceitou votar em favor do deputado no processo do Conselho de Ética que poderia cassar seu mandato. A entrevista foi veiculada no último sábado (15) na TV Bandeirantes. “O que estava por trás deste golpe jurídico-institucional jamais foi a luta contra a corrupção ou contra as pedaladas fiscais, mas sim o ódio de classe que movimenta amplos setores nacionais contra a possibilidade de distribuição de renda neste país”, emendou Porto.

O vereador listou a agenda de retrocessos imposta pelo Governo Temer no período de um ano: congelamento por 20 anos dos investimentos públicos nas áreas sociais – inclusive educação e saúde - para pagar a dívida pública junto aos bancos e especuladores privados; retirada da obrigatoriedade de participação da Petrobras em pelo menos 30% do Pré-Sal; aprovação do projeto de lei das terceirizações; apresentação da Reforma Trabalhista que tem como objetivo a liquidação da CLT; Reforma da Previdência que penaliza os mais pobres e fragiliza o sistema público de seguridade social; fim ou esvaziamento de programas sociais como Minha Casa Minha Vida, FIES e Ciências Sem Fronteiras; além de retrocessos na reforma agrária, na reforma urbana e na proposta de reforma do ensino médio.

Para finalizar, Paulo Porto afirmou que, passados 365 dias, pode-se afirmar que “o golpe não foi contra Dilma ou contra a corrupção”, mas sim um movimento articulado por setores da elite e do capital rentista aliados ao que há de pior na política nacional. “O golpe foi contra todos que lutam por um país socialmente justo e soberano. O golpe foi contra todo povo brasileiro. Esse mandato se orgulha de nunca ter se acovardado em relação a este debate, pois a história cobrará isto de todos!”, concluiu.



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