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| Nesta semana centenas de integrantes do MST iniciaram a derrubada de pinus e plantio de alimentos |
O conflito agrário que se estende há duas
décadas nas terras da empresa Araupel, em Quedas do Iguaçu, ganhou mais um
capítulo nesta semana. Na terça-feira (13), o Incra (Instituto Nacional de
Colonização e Reforma Agrária) e a União entraram com uma nova ação pedindo
nulidade dos títulos em poder da Araupel. Desta vez, a ação busca incorporar 10
mil hectares com o objetivo de assentar famílias acampadas em diferentes áreas
do Paraná.
Esta não é a primeira ação movida pelo Incra
pedindo a nulidade dos títulos que a Araupel afirma ser dona. Em maio, a juíza
da 1ª Vara Federal de Cascavel, Lilia Côrtes de Carvalho de Martino, declarou
nulo o título de propriedade de parte da Fazenda Rio das Cobras. A empresa
recorreu e enquanto o caso não é julgado a decisão de primeira instância fica
sem eficácia.
De acordo com o Incra, a nova ação ajuizada
na 2ª Vara Federal em Cascavel é complementar à outra que já havia sido
proposta. Na ação, a AGU (Advocacia Geral da União) diz que ainda que a empresa
deverá indenizar a União em 10% do valor atualizado do domínio pleno dos
imóveis por ter até agora obtido a posse irregular da área. O percentual se
refere a cada ano e por fração de ano em que “a União ficou privada da
disponibilidade do bem, até que haja a efetiva desocupação do imóvel pela ré,
com imissão de posse à União”. Na ação a AGU diz que a Araupel não deve ter
direito à indenização por benfeitorias por ter ocupado a área de má-fé.
Nilton Bezerra Guedes, superintendente do
Incra no Paraná, afirmou que é dever da União defender seu patrimônio
imobiliário e observou que o órgão federal tem legitimidade para propor a ação.
“Entendemos necessária a propositura da ação com o objetivo de retomar as
terras federais que foram ocupadas e registradas de modo irregular”, declarou.
Segundo o Incra, a ação formulada pela
Procuradoria da União e proposta pela AGU é fundamentada nas concessões
realizadas no período imperial e que caducaram com o passar dos anos. O Incra
argumenta que a Companhia Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande, ao qual o
imóvel estava vinculado, não cumpriu com as obrigações e, em 1923, ocorreu a
caducidade da área. “Portanto, a empresa Araupel ocupou irregularmente uma área
que é de domínio da União”, diz Guedes.
Área
A área reivindicada pelo Incra está ocupada
por mais de três mil pessoas no acampamento Dom Tomás Balduíno. O Incra diz ter
urgência na imissão de posse do imóvel porque no local existem 362 crianças com
menos de quatro anos. Uma escola itinerante foi montada no local e possui 255 alunos.
Na última quarta-feira, cerca de 1.500
integrantes dos três acampamentos existentes nas terras da Araupel iniciaram a
derrubada de pinus usados pela empresa para o beneficiamento de madeira. Em uma
página oficial que mantém no Facebook, o MST informou que “no lugar de cada
pinus cortado, um alimento será plantado, e cada alimento produzido saciará a
fome de um ser humano”.
Procurada, a Araupel informou que prossegue
com a sua mesma posição atestando a legitimidade do título.

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