sábado, 17 de outubro de 2015

Incra ajuíza nova ação pedindo nulidade de título em outra área da Araupel

Nesta semana centenas de integrantes do MST iniciaram
a derrubada de pinus e plantio de alimentos
O conflito agrário que se estende há duas décadas nas terras da empresa Araupel, em Quedas do Iguaçu, ganhou mais um capítulo nesta semana. Na terça-feira (13), o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e a União entraram com uma nova ação pedindo nulidade dos títulos em poder da Araupel. Desta vez, a ação busca incorporar 10 mil hectares com o objetivo de assentar famílias acampadas em diferentes áreas do Paraná.

Esta não é a primeira ação movida pelo Incra pedindo a nulidade dos títulos que a Araupel afirma ser dona. Em maio, a juíza da 1ª Vara Federal de Cascavel, Lilia Côrtes de Carvalho de Martino, declarou nulo o título de propriedade de parte da Fazenda Rio das Cobras. A empresa recorreu e enquanto o caso não é julgado a decisão de primeira instância fica sem eficácia.

De acordo com o Incra, a nova ação ajuizada na 2ª Vara Federal em Cascavel é complementar à outra que já havia sido proposta. Na ação, a AGU (Advocacia Geral da União) diz que ainda que a empresa deverá indenizar a União em 10% do valor atualizado do domínio pleno dos imóveis por ter até agora obtido a posse irregular da área. O percentual se refere a cada ano e por fração de ano em que “a União ficou privada da disponibilidade do bem, até que haja a efetiva desocupação do imóvel pela ré, com imissão de posse à União”. Na ação a AGU diz que a Araupel não deve ter direito à indenização por benfeitorias por ter ocupado a área de má-fé.
Nilton Bezerra Guedes, superintendente do Incra no Paraná, afirmou que é dever da União defender seu patrimônio imobiliário e observou que o órgão federal tem legitimidade para propor a ação. “Entendemos necessária a propositura da ação com o objetivo de retomar as terras federais que foram ocupadas e registradas de modo irregular”, declarou.
A ação judicial proposta faz parte do acordo firmado na semana passada entre o órgão federal e o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) que durante mais de 48 horas bloquearam três rodovias na região, inclusive a BR-277, que liga Foz do Iguaçu à Paranaguá.
Segundo o Incra, a ação formulada pela Procuradoria da União e proposta pela AGU é fundamentada nas concessões realizadas no período imperial e que caducaram com o passar dos anos. O Incra argumenta que a Companhia Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande, ao qual o imóvel estava vinculado, não cumpriu com as obrigações e, em 1923, ocorreu a caducidade da área. “Portanto, a empresa Araupel ocupou irregularmente uma área que é de domínio da União”, diz Guedes.

Área

A área reivindicada pelo Incra está ocupada por mais de três mil pessoas no acampamento Dom Tomás Balduíno. O Incra diz ter urgência na imissão de posse do imóvel porque no local existem 362 crianças com menos de quatro anos. Uma escola itinerante foi montada no local e possui 255 alunos.

Na última quarta-feira, cerca de 1.500 integrantes dos três acampamentos existentes nas terras da Araupel iniciaram a derrubada de pinus usados pela empresa para o beneficiamento de madeira. Em uma página oficial que mantém no Facebook, o MST informou que “no lugar de cada pinus cortado, um alimento será plantado, e cada alimento produzido saciará a fome de um ser humano”.


Procurada, a Araupel informou que prossegue com a sua mesma posição atestando a legitimidade do título.

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