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| Maria Fátima Machado Vaz Machado é enfermeira e especialista em dependência química |
Hoje atendi um
paciente que se encontrava em profunda tristeza, pois seu filho foi embora!
Lembrei da minha infância,
no interior de uma pequena cidade, filha de pequenos agricultores, família numerosa,
naquele tempo o curso primário era privilégio de poucos, fui à única na família
que continuou os estudos, me formei normalista, quanto orgulho para meus pais,
mas foi no curso normal que aprendi a amar os livros, aprendi que ensinar é um
ato de generosidade, tive então a pretensão de cuidar das pessoas, então
resolvi ser enfermeira e hoje sou uma enfermeira professora.
Quando era criança
quis ler a bíblia para minha avó paterna - mulher sábia, porém analfabeta. Pretensiosamente,
além de ler, adverti que seria necessário interpretar. Ela me fez entender uma
bela lição. “Entendo, você lê com os olhos e eu ouço com a alma” muitas vezes
na vida eu ouço com a alma, como no caso deste paciente onde ouvi com a alma a
dor disfarçada de agressividade, a insegurança
de arrogância, o riso de tristeza...”
Quando vieram meus
filhos, me propus educá-los e ensiná-los com a arma mais forte que possuía o
amor, quis ensinar-lhes o que sabia de melhor, mas foi com eles que aprendi que
realmente tenho de melhor: minha enorme capacidade de amar, aprendi que ensinar
bons modos, conhecimento, e higiene não é tão difícil como ensinar felicidade,
criatividade, esperança, fé e amor e respeito ao próximo!
Porém, em algum
momento por mais difícil que seja temos que deixar nossos filhos voarem, abandonar
o ninho que a gente construiu para eles com tanto carinho, a segurança, as
certezas, quando este dia chegar à vida ensinara para eles sua própria
sabedoria.
Se eu pudesse
voltar no tempo, não permitiria que convenções e escrúpulos inúteis cegassem
minha alma, evitaria muitas dores minha e do próximo, ouvindo mais com os
ouvidos da alma!

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