Sem
dinheiro de empresas na campanha eleitoral, os candidatos neste ano precisam se
aproximar de pessoas físicas para arrecadar dinheiro para bancar os gastos para
tentar uma vaga no Legislativo de Cascavel. A grande maioria dos atuais
vereadores concorre à reeleição e muitos deles encontraram nos assessores um
amparo financeiro para dar sequência à campanha eleitoral. Assessores que
trabalham em gabinetes de vários parlamentares ou ocupam funções gratificadas
no Legislativo estão dando um empurrãozinho financeiro na campanha dos chefes.
Quem
mais atraiu servidores para a campanha foi o presidente licenciado da Câmara,
Gugu Bueno (PR), que conseguiu apoio financeiro de pelo menos 17 servidores do
Legislativo e da prefeitura. No total, ele já arrecadou R$ 24,5 mil. A maior
doação para a campanha dele foi feita pelo gerente de gestão financeira, José
Onésimo Franco, que doou R$ 1,5 mil. Vários servidores que ocupam cargos em
comissão fizeram doações ao candidato. O procurador jurídico Luciano Braga
Côrtes, por exemplo, doou R$ 500, porém, a esposa e a filha dele fizeram doação
no mesmo valor. Além dos vários servidores, o presidente do Legislativo Luiz
Frare, doou R$ 500. Frare não é candidato à reeleição.
O
chefe de gabinete do vereador Paulo Porto (PCdoB), Madson de Oliveira, que tem
salário líquido de aproximadamente R$ 5 mil, decidiu doar R$ 4 mil para a
campanha do chefe que recebeu ainda R$ 500 de outro assessor, Claudemir
Aparecido de Oliveira. Porto já conseguiu arrecadar R$ 11.650.
Jaime
Vasatta (PTN), também apelou aos servidores públicos para arrecadar recursos à
sua campanha eleitoral. Felipe Tibola, assessor jurídico da presidência do
Legislativo, que tem salário líquido de R$ 6.369 mil, doou R$ 5 mil para
Vasata. Foi a maior doação recebida pelo candidato à reeleição que já arrecadou
R$ 21,1 mil. Outros servidores que doaram a sua campanha foram Glaci Vasatta,
assistente social na prefeitura, e Luciano Marca, ouvidor parlamentar.
Até
o vereador Jeovane José Machado, o “Ganso Sem Limites” (PSD), resolveu pedir
uma ajudinha básica aos assessores. Os assessores Mariza Senderski e Daniel de
Matos, que trabalham no gabinete do vereador, doaram R$ 600 cada um. A maior
doação, no entanto, veio do chefe de serviços operacionais do Legislativo, Ivan
Moura, que investiu R$ 750 na campanha de Ganso Sem Limites. Ele também obteve
doação de um servidor público que trabalha na Secretaria de Ação Social.
O
vereador João Paulo de Lima (PSD) teve R$ 1.064 doados pelo seu assessor Nilton
Carlos Rodrigues. Alguns vereadores até o momento investiram recursos próprios.
Quem mais investiu na própria campanha foi o professor Paulino Pereira da Luz
(PT), que desembolsou R$ 8 mil. O segundo lugar em recursos próprios está com
Rui Capelão (PPS), que fez uma doação a ele mesmo no valor de R$ 6 mil. Também investiram
em suas próprias campanhas os vereadores Robertinho Magalhães (R$ 1,5 mil), Nei
Hamilton Haveroth (R$ 2.250), Romulo Quintino (R$ 1 mil), Vanderlei do Conselho
(R$ 2 mil) e Valmir Severginini (R$ 1 mil).
O
vereador Aldonir Cabral (PDT) recebeu R$ 165 da campanha majoritária do
professor Marcos Vinicius. Fernando Winter (PSC) teve transferidos R$ 123,00 (e
não R$ 123 mil como informado anteriormente) da campanha de Leonaldo Paranhos.
Winter também investiu na própria campanha doando R$ 2.6 mil. Já o vereador
Jorge Bocasanta (PMB), arrecadou R$ 2,6 mil até o momento. O dinheiro foi doado
pela esposa dele.
Ainda
não estão disponíveis no site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) as doações
recebidas pelos vereadores Celso Dal Molin (PR), Marcos Rios (SD) e Pedro
Martendal (PV).
Cabe
salientar que todas as doações feitas pelos servidores são legais e estão
registradas no TSE. Por ser a primeira vez que empresas estão impedidas de
fazerem doações, a Justiça Eleitoral está de olho nas doações em todo o Brasil
para evitar que pessoas emprestem seus nomes como doadoras de campanha. Com
base em dados do TCU (Tribunal de Contas da União), o TSE já identificou mais
de 21 mil doadores sem capacidade econômica para fazer as doações. Entre eles,
os doadores, estão 4.630 mil beneficiários do Bolsa-Família que juntos doaram
R$ 4 milhões.
Em
Cascavel, cada vereador poderá gastar até R$ 87.947,50 com a campanha
eleitoral. Esse teto foi estabelecido pelo TSE. Os partidos são obrigados a
informar à Justiça Eleitoral, em até 72 horas, as doações recebidas.
Prefeitos
Cada
candidato a prefeito em Cascavel poderá gastar até R$1.337.587,72 no primeiro
turno. Até agora, quem mais arrecadou foi o candidato Marcos Vinicius (PSB),
que já obteve R$150.267,08. Desse total, 140 mil foram doações feitas pelo
próprio candidato, o que corresponde a 93% do total. O segundo maior doador
dele é José Vidal Boaretto que repassou R$ 10 mil à campanha de Marcos
Vinicius.
A
campanha de Hélio Laurindo (PP) recebeu até o momento R$ 110 mil. Valor doado
pelo próprio candidato, que é empresário. Marcio Pacheco (PPL) registrou até o
momento doações no valor de R$ 26 mil. Desse total, seu candidato a vice
Juliano Murbach doou R$ 15 mil e Pacheco R$ 6 mil. Outros R$ 5 mil foram doados
pelo ex-secretário de Finanças do Município de Cascavel, Ângelo Malta.
Leonaldo
Paranhos recebeu até o momento R$ 17 mil em doações. O valor mais elevado foi
doado pelo ex-secretário de Obras de Cascavel, Cletírio Feistler, que repassou
R$ 15 mil à campanha do candidato do PSC. O empresário Assis Marcos Gurgacz
investiu R$ 2 mil na campanha de Paranhos. As doações recebidas pelos
candidatos Walter Parcianello (PMDB), Aderbal de Mello (PT) e Professor
Ivanildo (Psol) ainda não aparecem nas divulgações do TSE.
As informações são do repórter Luiz Carlos da Cruz publicadas na Gazeta do Paraná