domingo, 11 de setembro de 2016

Em Cascavel vereadores tentam reeleição com dinheiro de assessores

Sem dinheiro de empresas na campanha eleitoral, os candidatos neste ano precisam se aproximar de pessoas físicas para arrecadar dinheiro para bancar os gastos para tentar uma vaga no Legislativo de Cascavel. A grande maioria dos atuais vereadores concorre à reeleição e muitos deles encontraram nos assessores um amparo financeiro para dar sequência à campanha eleitoral. Assessores que trabalham em gabinetes de vários parlamentares ou ocupam funções gratificadas no Legislativo estão dando um empurrãozinho financeiro na campanha dos chefes.

Quem mais atraiu servidores para a campanha foi o presidente licenciado da Câmara, Gugu Bueno (PR), que conseguiu apoio financeiro de pelo menos 17 servidores do Legislativo e da prefeitura. No total, ele já arrecadou R$ 24,5 mil. A maior doação para a campanha dele foi feita pelo gerente de gestão financeira, José Onésimo Franco, que doou R$ 1,5 mil. Vários servidores que ocupam cargos em comissão fizeram doações ao candidato. O procurador jurídico Luciano Braga Côrtes, por exemplo, doou R$ 500, porém, a esposa e a filha dele fizeram doação no mesmo valor. Além dos vários servidores, o presidente do Legislativo Luiz Frare, doou R$ 500. Frare não é candidato à reeleição.

O chefe de gabinete do vereador Paulo Porto (PCdoB), Madson de Oliveira, que tem salário líquido de aproximadamente R$ 5 mil, decidiu doar R$ 4 mil para a campanha do chefe que recebeu ainda R$ 500 de outro assessor, Claudemir Aparecido de Oliveira. Porto já conseguiu arrecadar R$ 11.650.

Jaime Vasatta (PTN), também apelou aos servidores públicos para arrecadar recursos à sua campanha eleitoral. Felipe Tibola, assessor jurídico da presidência do Legislativo, que tem salário líquido de R$ 6.369 mil, doou R$ 5 mil para Vasata. Foi a maior doação recebida pelo candidato à reeleição que já arrecadou R$ 21,1 mil. Outros servidores que doaram a sua campanha foram Glaci Vasatta, assistente social na prefeitura, e Luciano Marca, ouvidor parlamentar.

Até o vereador Jeovane José Machado, o “Ganso Sem Limites” (PSD), resolveu pedir uma ajudinha básica aos assessores. Os assessores Mariza Senderski e Daniel de Matos, que trabalham no gabinete do vereador, doaram R$ 600 cada um. A maior doação, no entanto, veio do chefe de serviços operacionais do Legislativo, Ivan Moura, que investiu R$ 750 na campanha de Ganso Sem Limites. Ele também obteve doação de um servidor público que trabalha na Secretaria de Ação Social.

O vereador João Paulo de Lima (PSD) teve R$ 1.064 doados pelo seu assessor Nilton Carlos Rodrigues. Alguns vereadores até o momento investiram recursos próprios. Quem mais investiu na própria campanha foi o professor Paulino Pereira da Luz (PT), que desembolsou R$ 8 mil. O segundo lugar em recursos próprios está com Rui Capelão (PPS), que fez uma doação a ele mesmo no valor de R$ 6 mil. Também investiram em suas próprias campanhas os vereadores Robertinho Magalhães (R$ 1,5 mil), Nei Hamilton Haveroth (R$ 2.250), Romulo Quintino (R$ 1 mil), Vanderlei do Conselho (R$ 2 mil) e Valmir Severginini (R$ 1 mil).

O vereador Aldonir Cabral (PDT) recebeu R$ 165 da campanha majoritária do professor Marcos Vinicius. Fernando Winter (PSC) teve transferidos R$ 123,00 (e não R$ 123 mil como informado anteriormente) da campanha de Leonaldo Paranhos. Winter também investiu na própria campanha doando R$ 2.6 mil. Já o vereador Jorge Bocasanta (PMB), arrecadou R$ 2,6 mil até o momento. O dinheiro foi doado pela esposa dele.

Ainda não estão disponíveis no site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) as doações recebidas pelos vereadores Celso Dal Molin (PR), Marcos Rios (SD) e Pedro Martendal (PV).

Cabe salientar que todas as doações feitas pelos servidores são legais e estão registradas no TSE. Por ser a primeira vez que empresas estão impedidas de fazerem doações, a Justiça Eleitoral está de olho nas doações em todo o Brasil para evitar que pessoas emprestem seus nomes como doadoras de campanha. Com base em dados do TCU (Tribunal de Contas da União), o TSE já identificou mais de 21 mil doadores sem capacidade econômica para fazer as doações. Entre eles, os doadores, estão 4.630 mil beneficiários do Bolsa-Família que juntos doaram R$ 4 milhões.

Em Cascavel, cada vereador poderá gastar até R$ 87.947,50 com a campanha eleitoral. Esse teto foi estabelecido pelo TSE. Os partidos são obrigados a informar à Justiça Eleitoral, em até 72 horas, as doações recebidas.

Prefeitos

Cada candidato a prefeito em Cascavel poderá gastar até R$1.337.587,72 no primeiro turno. Até agora, quem mais arrecadou foi o candidato Marcos Vinicius (PSB), que já obteve R$150.267,08. Desse total, 140 mil foram doações feitas pelo próprio candidato, o que corresponde a 93% do total. O segundo maior doador dele é José Vidal Boaretto que repassou R$ 10 mil à campanha de Marcos Vinicius.

A campanha de Hélio Laurindo (PP) recebeu até o momento R$ 110 mil. Valor doado pelo próprio candidato, que é empresário. Marcio Pacheco (PPL) registrou até o momento doações no valor de R$ 26 mil. Desse total, seu candidato a vice Juliano Murbach doou R$ 15 mil e Pacheco R$ 6 mil. Outros R$ 5 mil foram doados pelo ex-secretário de Finanças do Município de Cascavel, Ângelo Malta.


Leonaldo Paranhos recebeu até o momento R$ 17 mil em doações. O valor mais elevado foi doado pelo ex-secretário de Obras de Cascavel, Cletírio Feistler, que repassou R$ 15 mil à campanha do candidato do PSC. O empresário Assis Marcos Gurgacz investiu R$ 2 mil na campanha de Paranhos. As doações recebidas pelos candidatos Walter Parcianello (PMDB), Aderbal de Mello (PT) e Professor Ivanildo (Psol) ainda não aparecem nas divulgações do TSE.

As informações são do repórter Luiz Carlos da Cruz publicadas na Gazeta do Paraná

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