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| Maria Fátima Machado Vaz
Machado é enfermeira e especialista
em dependência química
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Brincar tem
um viés que vai muito além da simples fantasia. Enquanto um adulto vê apenas
uma criança empilhando bloquinhos, para o pequeno aquilo significa experimentar
as possibilidades de construir e conhecer novas cores, formatos e texturas.
"Para a criança, brincar é um processo permanente de descoberta. É um
investimento", explica Tião Rocha, antropólogo, educador popular e
folclorista, fundador do Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento, em Minas Gerais.
Muito adulto
ainda acha que brincar é perda de tempo. Por isso, acaba criando uma agenda de
compromissos formais para a criança. Essa visão distorcida pode prejudicar o
desenvolvimento infantil.
Tudo se
torna um experimento, desde colocar suas próprias mãos na boca até a
representação de papéis dos adultos, como cozinhar e falar ao telefone. A
brincadeira é a ligação entre a criança e o meio, sendo o instrumento que
permite o aprendizado e o entendimento do mundo ao seu redor.
E como todo
aprendizado ela tem fases:
Nos
primeiros meses de vida a brincadeira é mais concreta, se baseia muitas vezes
no apertar, apalpar, colocar na boca. Nessa fase também ocorrem os experimentos
dos sons da fala, como o balbucio, gritos, gemidos que sempre geram reações nos
adultos e aumentam o interesse da criança em se comunicar.Conforme a criança passa do primeiro ano de vida, a brincadeira passa a ser mais imaginativa e mais complexa. É através da brincadeira que ela vai treinar habilidades e qualidades como independência, criatividade, curiosidade e capacidade de solucionar problemas. Juntamente a essas habilidades, ela também está desenvolvendo sua capacidade comunicativa, muitas vezes criando diálogos com seus brinquedos, baseados no que presenciou do mundo adulto.
Como incentivar seu filho a brincar
Estabelecer
um horário diário ou semanal para brincar com seu filho é o primeiro passo para
garantir que ele faça esta atividade com freqüência. Muitos pais lotam a agenda
dos filhos com afazeres extracurriculares, o que extingue o momento da
brincadeira. "Toda agenda de criança deve ter um espaço diário para não
fazer nada - é aí que surge o espaço para brincar"
Participar
da brincadeira dos filhos também dá uma vantagem aos pais: conhecê-los melhor.
Como a criança se expressa brincando, os pais observadores descobriram as
vulnerabilidades e os pontos fortes de seus filhos. "Brincar juntos
aumenta o grau de confiança e o vínculo entre pais e filhos".Dar
brinquedos de diferentes materiais e tipos também é recomendável. Por isso,
nada de entupir a menina só com bonecas e chegar com um carrinho debaixo do
braço a todos os aniversários do menino. As crianças precisam experimentar de
tudo. "Cada brinquedo traz uma mensagem e vai despertar o interesse e a
curiosidade de alguma forma".
O importante
é o brincar, e não o brinquedo. É possível improvisar brinquedos com uma fruta,
uma caixa de papelão vazia ou o que quer que esteja à mão. E não se preocupe se
não puder dar a seu filho aquele carrinho movido a pilhas de última geração.
"Só na visão do adulto um brinquedo eletrônico é divertido. Para a
criança, brinquedo que brinca sozinho é enfadonho".
Conclui-se
que as brincadeiras desenvolvidas na infância facilitam a aprendizagem e o
desenvolvimento integral nos aspectos físico, social, cultural, afetivo e
cognitivo. Enfim, desenvolve o indivíduo como um todo, sendo assim, aos pais
devem incentivar e participar das atividades com os filhos amplamente.

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