sábado, 19 de dezembro de 2015

A importância das brincadeiras na infância

Maria Fátima Machado Vaz
Machado é enfermeira e especialista
em dependência química
O princípio VII da Declaração Universal dos Direitos da Criança, aprovada por unanimidade pela Assembléia Geral das Nações Unidas em 1959, já estabelece: toda criança tem direito ao lazer infantil. Brincar é essencial para o desenvolvimento do seu filho - e o valor da brincadeira não pode ser subestimado.

Brincar tem um viés que vai muito além da simples fantasia. Enquanto um adulto vê apenas uma criança empilhando bloquinhos, para o pequeno aquilo significa experimentar as possibilidades de construir e conhecer novas cores, formatos e texturas. "Para a criança, brincar é um processo permanente de descoberta. É um investimento", explica Tião Rocha, antropólogo, educador popular e folclorista, fundador do Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento, em Minas Gerais.

Muito adulto ainda acha que brincar é perda de tempo. Por isso, acaba criando uma agenda de compromissos formais para a criança. Essa visão distorcida pode prejudicar o desenvolvimento infantil.

Tudo se torna um experimento, desde colocar suas próprias mãos na boca até a representação de papéis dos adultos, como cozinhar e falar ao telefone. A brincadeira é a ligação entre a criança e o meio, sendo o instrumento que permite o aprendizado e o entendimento do mundo ao seu redor.
 
E como todo aprendizado ela tem fases:
Nos primeiros meses de vida a brincadeira é mais concreta, se baseia muitas vezes no apertar, apalpar, colocar na boca. Nessa fase também ocorrem os experimentos dos sons da fala, como o balbucio, gritos, gemidos que sempre geram reações nos adultos e aumentam o interesse da criança em se comunicar.
 
Conforme a criança passa do primeiro ano de vida, a brincadeira passa a ser mais imaginativa e mais complexa. É através da brincadeira que ela vai treinar habilidades e qualidades como independência, criatividade, curiosidade e capacidade de solucionar problemas. Juntamente a essas habilidades, ela também está desenvolvendo sua capacidade comunicativa, muitas vezes criando diálogos com seus brinquedos, baseados no que presenciou do mundo adulto.

Como incentivar seu filho a brincar
 
Estabelecer um horário diário ou semanal para brincar com seu filho é o primeiro passo para garantir que ele faça esta atividade com freqüência. Muitos pais lotam a agenda dos filhos com afazeres extracurriculares, o que extingue o momento da brincadeira. "Toda agenda de criança deve ter um espaço diário para não fazer nada - é aí que surge o espaço para brincar"

 

Participar da brincadeira dos filhos também dá uma vantagem aos pais: conhecê-los melhor. Como a criança se expressa brincando, os pais observadores descobriram as vulnerabilidades e os pontos fortes de seus filhos. "Brincar juntos aumenta o grau de confiança e o vínculo entre pais e filhos".Dar brinquedos de diferentes materiais e tipos também é recomendável. Por isso, nada de entupir a menina só com bonecas e chegar com um carrinho debaixo do braço a todos os aniversários do menino. As crianças precisam experimentar de tudo. "Cada brinquedo traz uma mensagem e vai despertar o interesse e a curiosidade de alguma forma".

 
O importante é o brincar, e não o brinquedo. É possível improvisar brinquedos com uma fruta, uma caixa de papelão vazia ou o que quer que esteja à mão. E não se preocupe se não puder dar a seu filho aquele carrinho movido a pilhas de última geração. "Só na visão do adulto um brinquedo eletrônico é divertido. Para a criança, brinquedo que brinca sozinho é enfadonho".
 

Conclui-se que as brincadeiras desenvolvidas na infância facilitam a aprendizagem e o desenvolvimento integral nos aspectos físico, social, cultural, afetivo e cognitivo. Enfim, desenvolve o indivíduo como um todo, sendo assim, aos pais devem incentivar e participar das atividades com os filhos amplamente.

 

 

 

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