A
tensão entre índios e fazendeiros nas comunidades de Passo Liso e Boa Vista, em
Laranjeiras do Sul, Centro-Oeste, tem se acentuado desde o último fim de
semana. Na tarde desta terça-feira (8) dezenas de índios passaram por
propriedades rurais e estabeleceram prazos para que as famílias deixassem suas
terras. Eles reivindicam áreas de várias propriedades que estão sendo
questionadas judicialmente.
O
fazendeiro Otomar Civa conta que muitos proprietários fugiram e abandonaram
suas casas. “Eu vi muito desespero, vi lágrimas escorrendo em homens de 50
anos”, relata. Segundo ele, os índios disseram que se as famílias não deixassem
suas casas até as 16 horas, eles iriam expulsar os moradores e ameaçaram atear
fogo em imóveis. “Tem famílias escondidas no meio do mato”, relata. Os índios
usam troncos de árvores para bloquear o acesso às propriedades. Civa, que
possui uma propriedade em Passo Liso desde 1980, conta que três casas foram
invadidas pelos indígenas.
De
acordo com informações da Polícia Militar, moradores da comunidade procuraram a
companhia para denunciar as ameaças. Também houve registros de boletins na
Polícia Civil que comunicou a Polícia Federal em Guarapuava sobre o clima
tenso.
Na
noite de sábado (5), mais de cem índios ocuparam uma propriedade rural e
fizeram uma família refém. A Polícia Militar foi acionada e se dirigiu até o
local com três equipes. Na metade do caminho, os policiais avistaram um índio
armado com uma espingarda e prenderam o indígena. A prisão, no entanto,
revoltou os demais índios que fizeram um soldado refém e danificaram os três
carros da polícia. Depois de muita tensão, o policial foi liberado.
O
Conselho Comunitário de Segurança de Laranjeiras do Sul divulgou nota repudiando
a ação dos índios. “O Conseg classifica a ação dos indígenas, centenas deles,
incitados por suas lideranças, como atos de terrorismo e barbárie, os quais
repudiamos publicamente, pois atenta contra as regras mais elementares da
civilidade e do estado democrático de direito”, diz a nota.
A
reportagem não conseguiu contato com o escritório da Fundação Nacional do Índio
(Funai) em Laranjeiras do Sul, nem com o cacique da aldeia.
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