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| Transportadoras prometem deixar caminhões nas garagens |
O
transporte rodoviário de cargas agoniza diante da mais grave crise já vivida
pelo setor. As empresas apenas “sobrevivem” sem ter absolutamente nenhuma
margem financeira para investimento. Essa crítica situação foi tema de intenso
debate na reunião do grupo de sindicatos e transportadores do Sul do país,
realizada nesta quinta-feira (28) em Catanduvas (SC). Como derradeira medida em
busca da reversão do total descaso, a área alerta que a paralisação das
atividades torna-se iminente.
Há
sentimento de total decepção com o comportamento dos embarcadores (empresas que
contratam os serviços, especialmente a indústria frigorífica) pela descortês e
indiferente maneira como tratam os transportadores. O presidente do Sindicato
das Empresas de Transporte de Carga e Logística de Chapecó - Sitran, Deneraci
Perin, cita que, mesmo diante de um quadro falimentar “não há sensibilidade do
embarcador”, comportamento que origina “decepção e descontentamento”.
Do
encontro de Catanduvas participaram, além do sindicato local e de Chapecó, as
instituições sindicais representativas dos Municípios catarinenses de Concórdia
e Videira e os paranaenses de Francisco Beltrão, Dois Vizinhos e Toledo. Entre
outros Estados, sindicatos do Rio Grande do Sul, São Paulo e Mato Grosso também
integram o grupo protestador. Decidida a paralisação, mais de cem mil caminhões
deixarão de circular. O movimento é unificado entre os transportes de cargas
frigorificadas e de grãos.
Sem
prejuízo ao usuário - Os transportadores não vão formar barreiras impeditivas à
circulação de veículos nas rodovias ou optar por iniciativas que venham causar
transtorno à população, “mas o embarcador terá graves problemas”. A alternativa
é deixar os caminhões estacionados nas garagens. A medida extrema está sendo
organizada para pressionar e tentar remover a “intransigência” e as
“inconcebíveis, exageradas e intempestivas exigências operacionais” do
embarcador. Antes de decidir pelo fim do limite da paciência decretando o
radical manifesto, os sindicatos enviam, ao embarcador, pedido de revisão das
tarifas co-responsabilizando os tomadores dos serviços de cargas pela falência
do transporte.
A
manutenção da frota dos transportadores se constitui em árdua tarefa. Há algum
tempo não existe mais “gordura a queixar”. A situação é insuportável e chega ao
caos, conseqüência da defasagem histórica no valor do frete (congelado a mais
de três anos), freqüentes aumentos dos combustíveis e demais insumos, salários
e outras obrigações formais. “Não se trata de fortuita lamentação, mas sim da
real constatação de desespero”, resume Perin.
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Foto: Lideranças sindicais alertaram embarcador à paralisação das atividades do
transporte de produtos frigorificados e de grãos

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